Mulheres

"Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural de todos os corpos e almas e coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu as respeito e as venero, com a graça de um cisne satisfeito nadando num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não quero mudá-las jamais. Sempre imagino o que possam sonhar, e procuro suavemente entrar no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções, as loucuras. E como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, eu entro então no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia, com tanta formosura. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e eu preciso mais do que isso para compreendê-las.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente. Sem ciúmes. Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as quase feias. Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas, e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas. Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes. As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas. As inteligentes, e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as velhas, as solteiras, as casadas, as separadas. As bem-amadas, e as abandonadas. As livres, e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo, e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um orgasmo cósmico e sublime. Poeticamente.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhes faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Entusiasmado, como se cada uma fosse a única. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ao som de Vangelis, velaria por um tempo o sono delas, e de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.

Enfim, se fosse Deus, eu com certeza não mais cuidaria do universo e dessas coisinhas banais. Não iria ficar controlando o destino das pessoas, o tempo, a pressa, os compromissos, as horas, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, a Internet, a geografia... Não!

Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem. E como nunca foram amadas.

Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!"


Edson Marques

Hoje faz um ano.

E não é motivo para comemorar. Apenas para lembrar que, um dia, eu fui bem feliz.
Igual hoje :)




És o raro e o novo.

Retorno ao presente.

"Mude.
Mas é difícil mudar, eu sei.

Todos temos uma certa tendência neurótica em deixar as coisas como estão
em salvar as aparências, em manter as estruturas, mesmo que apodreçam.
Quase todos temos uma enorme preguiça de agitar as circunstâncias.
Propendemos a deixar tudo como está
embora vivamos fazendo promessas de mudar o mundo.
Como disse Göethe no Fausto, "a quem persiste na Esperança ainda r...
esta a Salvação".
Mas você sempre deixa pra depois. Você pensa que vai viver mil anos, porém não vai.
Nem eu. A vida está por um fio.
Tua casa está pegando fogo, teu amor se despedaça, tua hora está chegando.
Não a hora da morte biológica, que pode até demorar, mas sim a hora da verdade,
a hora de virar gente, a hora de assumir o comando. A hora de tomar consciência.
A cebola da vida está descascando, inexorável, aí, ao teu lado;
o leão do tempo, feroz, rugindo no teu cangote -- e você não reage. Nem se mexe.
Há conclusões às quais você tem obrigação de chegar, hoje!
Ou você se salva -- ou você se fode!"



Edson Marques - mude.blogspot.com



da janela de casa - 6:35 da manhã

2011, 2012 and others histories



Recife - mais minha do que eu poderia imaginar



Este post já estava em minha mente desde o dia 31 de Dezembro de 2011, porém esperei passar a virada de ano para poder escrever.
Mal sabia eu que 2012 iria me rechear de coisas que havia esquecido, coisas que imaginava não existirem mais, coisas que estavam perdidas no tempo.

Porém vamos começar com o ano passado....


"Mas eu só tenho um emprego e um salário miserável"



2011 me fez largar uma série de paredes e obstáculos onde eu sempre me coloquei.
Arrisquei quando pedi demissão da Microsoft por conta de algo que eu me programava há 8 anos. E não me arrependo.
Logo depois veio o Tribunal do Trabalho, onde fiquei 1 mês. Lá aprendi coisas simples do dia-a-dia com amigos que também ensinei-lhes algumas coisas, como a troca simples de amizade e cervejas em plena quarta-feira de trabalho.

Depois, virei coordenador na PCTEC.

Um local terrível de se trabalhar... relações frias, pessoas frias (com excessão da minha gerente que dava uma baita força pra mim e só era chata quando seus superiores eram com ela). Fui coordenador de 75 analistas espalhados pelo Brasil, porém os 11 do projeto Pfizer foram os que criei uma verdadeira família onde nos respeitávamos, nos xingávamos, brincávamos o dia todo, todos ensinando algo pra alguém durante os horários extendidos de trabalho e até nas folgas. O cliente HP também me ajudou DEMAIS na tarefa de coordenar um projeto tão complexo e rápido, como deveria ser. Me emputeci com várias coisas, mas aprendi que este mundo tecnológico é realmente 0 ou 1.
Mas eu não nasci pra ser binário.



"Desde que o samba é samba é assim"


Caetano acabou de recitar essa belíssima canção aqui no iTunes, então vamos falar do Samba de Roda.
2011 foi o ano onde me firmei no Samba, onde pude ser útil em um lugar como há muito tempo não era na música, e não só na música. A Nega Duda me fez importante, exaltou meus trabalhos, me ajudou em muitos momentos com apenas um "se cuida" e isso não apenas comigo, mas com todos da família. Meu filho e pessoa que admiro tanto, o Lelo, entrou pro grupo e isso me fez muito feliz. Nossos Ekans de Axé são sucesso, cada vez crescendo mais e mais organizados...


Samba de Roda Nega Duda - novos ares, novas conquistas.


"Não preciso de modelos, não preciso de heróis: eu tenho os meus amigos"


Amigos! sim, eu tenho! e muitos!
Todos foram extremamente necessários para que eu saísse vivo desde maledeto 2011... Outubro foi um mês onde cada passo era uma queda, porém os amigos estavam lá, me ajudando a levantar de cada queda, cada tropeço e cada tentativa de desistência da vida. Não desisti, e hoje posso contar todas essas histórias a todos e bebemorar com todos minha vitória, que é vitória de vocês também.


Geneolle - sem palavras.




Fabi - cada dia que passa, mais importante



Roberta - eterna no meu coração.



Cy - uma ótima descoberta de 2011



D - papos, ajuda mútua, sorrisos...


Gabi Navarro - dos distantes mundos de volta ao meu mundo



Ju - inexplicável.


Jana Maloca - ajudou mesmo sem saber :)



Geneolle, Eva, Dri, Lelo, Roberta, Jana´s, Carol, Deisy, Gabi´s, Dechandt, Fabi irmã, Choueri, Preta, Cy e tantos outros... sem vocês eu não teria sobrevivido....


Capitão, HP e Fefis - anjos salvadores



Adendo: Amigos, para alguns eu estive muito sumido, distante... entendam que não foi por mal. Vocês sabem que todos precisam de um tempo para respirar, colocar as coisas no lugar, reorganizar (e como diria Science, me desorganizando eu posso me organizar). Amo vocês independente de distâncias, motivos, problemas... :)




"Meu peito é uma porta que ninguém vai atender"


Com certeza o que marcou este ano foi o término de algo que eu achava ser infinito.
Infinito por tudo o que passamos, por tudo o que nos conhecemos, por tudo o que foi tudo. Um pedido de namoro em pleno domingo de carnaval debaixo do Galo da Madrigada em Recife, isso antes dela ter encontrado um namorado no Maranhão. O término desse namoro 20 dias após o início, as voltas infindas de 2011, a mudança dela para 3000 KM de distância, o retorno dela para tentar algo novamente...

O término disso foi algo que me tirou o chão, me fez cair de alturas que nunca pensei que existissem.. uma traição de sentimentos e de lealdade que jamais esperava dela.

Porém a vida.. ah, a vida!

Sofri demais, porém vale mais o coração.
Me preocupar com ela é algo normal. E mesmo sabendo que ela estava com o amor da vida dela, eu estava aqui sentado, me preocupando com ela. Mesmo após me triturar, eu ainda sim a amava com todas as forças, mesmo não a querendo mais.
"Amava" ?
Não, ainda a amo, e isso é fato.
Porém é o amor que me levou até a casa dela em seu aniversário, no Natal e me fez sentir como se fossem minha família (e assim os considero), como se nada daquilo tivesse acontecido e sim, como se o término tivesse sido algo já combinado.


Lê, Antônio, Ana Lucia e eu - amor.

De normal, nunca fomos e nunca seremos. Mas como eu costumei a dizer, "tem coisas que apenas são".
E isso não acaba.


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Juntando os cacos fui para Paraty tentar iniciar um ano melhor, sem problemas e com um coração á procura de renovação. Lá aproveitei momentos que em 2 anos seguidos não havia aproveitado, conheci pessoas, cachoeiras, praias... fui feliz.


Paraty - novas visões


Virada do ano - um sorriso estampado até hoje


Se me perguntarem se eu gostaria de repetir 2011, a resposta é não. Mas como não se pode ainda voltar no tempo, eu deixo esse ano como um divisor de águas, que me mostrou tanta coisa, me fez chorar como nunca, me deu amigos, me tirou quem amo, me mostrou a felicidade de outras formas, ainda sim dolorosas, mas foi o que eu consegui tirar desse ano.

Paranapiacaba - um banheiro químico e uma semana de paixão intensa

2011 também meu deu uma paixão avassaladora que deixei por pura tentativa de ser feliz onde eu queria. Se me arrependo? de certa forma sim, mas se eu não tivesse tentado ser feliz não teria crescido emocional e espiritualmente como cresci nesse ano.


Meu pavilhão, minha história.


E, enfim, chegou 2012...


Me perguntaram o que eu pedi de ano novo. Eu respondi "paz". Tava cansado de estar sempre no olho do furacão, sempre em movimentação constante e sem controle nenhum da situação. Nâo pretendia e continuo não pretendendo dominar todas as situações, porém se você tem o mínimo de controle sobre si, as coisas podem ser menos difíceis.



"Que loa é essa que vem lá do mar?"


Logo no início do ano, mantive minhas idas para Santos e depois de 7 anos, voltei a estudar maracatu.
Hoje posso realmente dizer que sou membro do Maracatu Quiloa, pois todas as relações se firmaram em Janeiro. Trabalhei muito com o grupo, dei idéias, acompanhei o backstage do cortejo 2012, descia toda semana... e esses amigos de Santos hoje são um seleto grupo que quero manter pelo resto de minha vida, tocando ou não.


Manuela - resume meus amigos de Santos.



"Na Boa Vista quis te encontrar
Rua do Sol, da Boa Hora
Rua da Aurora, vou caminhar"


Me programei para ir a Recife no domingo de carnaval e voltar logo na sexta.
Porém um grande amigo fez questão de passar praticamente um mês lá. E me carregou com ele.


HP - sensacional companheiro.

Aportamos no Guararapes dia 08, e voltamos dia 29... loucura total!
Eu não tinha grana pra passar tanto tempo, porém ele insistiu e bancou todo esse tempo. Mesmo eu desempregado tive ajuda de todos os lados por lá. Desses 21 dias, perdi mais da metade devido a uma desidratação, virose e gripe seguidas que me tiraram 10 quilos, me deixaram, 7 dias sem comer e 17 dias sem uma gota de álcool.


Sr. Afonso - meu mestre, minha nação, meu coração.


Quando tive essa parada brusca pensei "é 2011 voltando e me mostrando que ainda não acabou"... que nada! Mesmo com toda essa enfermidade (que foi realmente séria) eu enxerguei muita coisa, percebi Recife como nunca e, principalmente, tive ajuda de pessoas que jamais pensei em contar, tanto paulistas como recifenses, mineiros, brasilienses...


Alagoas - nosso paraíso particular.


Não toquei na minha nação, mas conheci lugares que estão ainda em minha retina e que foto alguma pode explicar. Sentimentos e sensações á noite, 200, 300 metros mar adentro (sem mar) com um céu cravejado de estrelas e constelações, com amigos passando por outras dificuldades, cada um no seu grau de tristeza sou solitude, felicidade ou êxtase, chorando de felicidade e agradecendo por Deus nos dar um momento que jamais será esquecido.


Janela de Eva - Pernambuco AMANDO para o mundo.



Olinda e sua noite dos tambores - sempre regada á lágrimas emotivas.




"O amor é bandoleiro, pode inté custar dinheiro
É fulô que não tem cheiro e todo mundo quer cheirar
Todo mundo quer cheirar olará, viu?"



E eu cheirei. Muito.
Em 56 dias de 2012 eu conheci mais camas que em 2011 inteiro.
Tudo isso foi amor? Sim, foi amor. Amor por mim e por tanta coisa que estava perdida aqui dentro, tantos desejos repreendidos por uma verdade mentirosa que eu criei e forcei um outro lado a se acostumar com isso.
Voltei 12 anos no passado e reencontrei uma pessoa muito especial, que dirou o tempo que foi necessário. Depositei ali por alguns dias uma esperança, ams como diz a música que estou ouvindo: "O mundo muda, a gente muda"... ela mudou, eu também e isso faz parte da vida. Ou você muda ou você se fode, já diria Edson Marques.


Dani Sappak - o mundo muda, a gente muda.


Conheci pessoas maravilhosas, beijei bocas maravilhosas, deitei em camas mais maravilhosas... todo o vazio de 2011 foi preenchido em poucos dias, e pareceu que tudo ali não passou de um grande pesadelo. Hoje tudo é passado e meu presente é realmente um presente. Até quando vai durar? não me importo. Quero viver isso até que a vida mostre outros caminhos como vem mostrando desde o dia 01/01/2012 e me surpreendendo cada vez mais.


Anne - ah rosa, e o meu projeto de vida?

Brotou uma semente linda em meu coração e rego essa semente desde Recife, e no meu retorno á babilônia isso se mostrou vivo, real e sincero. Algo que foi postergado desde o carnaval de 2011... e hoje, enfim, acontece de uma maneira onde nem ela poderia imaginar.
Embalado por Chico Buarque, esse romance se estende pelos meus dias e me deixa leve, feliz e sorridente.



Think For Yourself.


Ótimas notícias ao chegar em SP... novos caminhos aserem traçados, novos projetos, novas perspectivas, novas visões... um novo Gleds, eu posso assim resumir.
E já que temos um novo Gleds, teremos um novo ar neste blog. Chega de derrotas, chega de tristezas... vou lutar pela minha felicidade pois só eu sou resposánvel por ela, e 2012 já me relembrou que se eu não fizer, ninguém o fará.


Á voces leitores, vocês meus amores, meus amigos, meus batuques, minhas músicas... felicidade.




e mais outra vez

"o melhor é fazer parte de um todo"




Você se sente querido, amado.
Você deseja amor.
Você procura por amor.
O mundo pode não ser o que você deseja, mas com toda certeza lhe prepara armadilhas que te fazem flutuar no tempo.


Sigo esburacado, mas firme. Da minha maneira. Não é fácil passar os dias buscando algo que sabe-se bem que não se deve procurar: ele chega. Na verdade eu ando buscando paz, serenidade, calma...

Ainda existem gritos aqui dentro que só eu sei o quão agoniantes são.

Tenho meus pensamentos / sentimentos de pessoas comuns: ódio, rancor, mágoa, inveja, ciúme, posse... mas eu tenho algo que NINGUÉM pode ter, e disso eu tenho certeza. Por mais que o amor se esvaia num ralo, por mais que alaguem os hemisférios, por mais que eu chore copiosamente como ontem, por mais que tudo se acabe: isso nunca acabará.

Eu amo e é correspondido. Não da forma como eu queria, e ai está meu novo ensinamento.

Ando quebrando paradígmas, seguindo retas tortas, buscando e buscando... fazendo o que eu jamais faria, deitando ao lado de quem eu jamais deitaria, fitando quem jamais eu olharia...

As lembranças doem.. mas fazem um sorriso bonito, envergonhado. Sorriso esse que sai como um raio de sol num dia perdido, aquele sopro de luar quando você está na rua, perdido... esperança? não sei se há ou se não há.. só sei que nada sei sobre isso.


Tantas palavras
Que eu conhecia
Só por ouvir falar, falar
Tantas palavras
Que ela gostava
E repetia
Só por gostar

Não tinham tradução
Mas combinavam bem
Toda sessão ela virava uma atriz
Give me a kiss, darling
Play it again'

Trocamos confissões, sons
No cinema, dublando as paixões
Movendo as bocas
Com palavras ocas
Ou fora de si
Minha boca
Sem que eu compreendesse
Falou c'est fini
C'est fini

Tantas palavras
Que eu conhecia
E já não falo mais, jamais
Quantas palavras
Que ela adorava
Saíram de cartaz

Nós aprendemos
Palavras duras
Como dizer perdi, perdi
Palavras tontas
Nossas palavras
Quem falou não está mais aqui



Este post não era pra soar triste... não estou triste. Eu acho.


É só o pesar de ter a certeza de que pelo menos por um bom tempo (e quem sabe nunca mais) eu não terei a pessoa que mais amei em toda a minha vida.





Mas o perdão existe. E o sorriso, também.

Eu agradeço

Ao Deus por brilhar de uma forma tão intensa no dia de hoje.

À Deusa, por estar junto de mim em TODOS os momentos.

Às energias do coven, dos meus mestres, dos meus discípulos e dos meus IRMÃOS por emanar de uma forma tão intensa em 2011.

E ,acima de tudo, por ter um sentimento tão bonito, vivo, pulsante e brilhante dentro de mim e poder fazê-lo ser a melhor coisa que já me aconteceu em 33 anos de vida.


Maktub.

Que Litha seja seu melhor presente.

Amor enlatado

"Doa-se amor enlatado
Não é paixão, você está enganado.
Doses homeopáticas, para poder sentir o gosto doce do amor.
Caso prefira, as doses podem ser cavalares, sem restrições.
Amor cultivado há anos.
...
Natural, como deve ser.
Sem transgênicos, sem corantes nem conservantes.
Se conversa ao natural, á luz do dia e sob á luz da lua.

Doa-se amor enlatado.
Pode ser amargo, pode ser salgado.
Pode ser pouco para você, ou pode ser o que você sempre quis.
Pode ser frio, pode ser requentado.
Preferem-se pessoas que queiram cuidar do amor, ao invés de saborear por algum tempo e jogá-lo na lata do lixo.

Doa-se amor entalado.
Amor forte, resistente á quedas.
ISO 9000 comprovado.
Esse amor, assim, tão gostoso.
Enrijecido, simples, intenso e conservado.

Doa-se amor enlatado.
Estoque por tempo ilimitado."





Eu mesmo.

É só questão de idade

Passando dessa fase, tanto fez e tanto faz.

Urbana Legio Omnia Vincit.

Voando

Os dispostos, opostos, á postos...
Aposto!
Num gesto, modesto
Indigesto? Completo .
Razão, paixão e emoção na dura lição de lecionar
Contidas na arte, na parte, na carne, na rua, na lua, na vida crua.
Sentimentos e instrumentos: ter e tocar, sentir e amar, construir e executar.
Momento, sentimento.
O artista é uma obra de arte em movimento.






Novas inspirações aparecem a todo momento.
Basta deixar vir.

Para essa pequena.




São palavras e letras jogadas ao vento. Quem dita o tempo é Chico Buarque e quem digita é apenas um admirador de uma madrugada chuvosa regada á whisky e solidão.



"Fiquei louco, pasmado por completo
Quando me ví tão perto de quem tenho amizade
Na febre da dança sentí tamanha emoção
Devorar-me o coração.

Divina dama...


O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia?

Se o blues já valeu a pena, eu não sei.
Mas realmente não canso de contemplá-la.
Cuidando dela que anda em outro mundo há quase 10 anos.
Vivendo, amando, querendo. Sendo ela mesma
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas... todos esses anos me valeram a pena.

Outro amor, outra intensidade, outra realidade. Perto da minha.
Bem vinda, bem vinda...

E eu, á toa na vida, quando meu amor me chamou pra me mostrar que a vida é bela, più bella.

Arrasa o meu projeto de vida.. que projeto?
Querida, estrela do meu caminho.. qual caminho?
Espinho cravado em minha garganta, visão cerrada em meus olhos.

O que será que me dá, que me bole por dentro, será que me dá?


Mas... certo de estar perto da alegria, comunico oficialmente que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha um carinho para dar, ou venha pra se consolar
Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda.. sempre é tempo para amar.

Que todos os ardores me vêm atiçar?

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor
Mentira...
Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor
Mentira...
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor... tanta mentira... mas tanta vontade...

Que é feito uma aguardente que não sacia

Quando ela chora, queria lavar seus ombros,
Não sei se é dos olhos para fora, ou do coração pra dentro.
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos... um drama.

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá...?


Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim."


(sim, o blues valeu a pena).

5 vezes



Tudo começou em 1990, quando meu padrinho quis me levar ao meu primeiro jogo de futebol.
Final do Brasileiro, Corinthians x São Paulo.

Eu, no auge dos meus 12 anos recém completos, lembro de pouca coisa.
Mas o que ficou marcado foi a Fiel Torcida, e aquele gol do Tupãzinho, claro.

Comemoramos como se nada mais existisse no mundo. Ali eu percebi que chorar por um time é coisa natural.
Vieram mais jogos, finais em que perdemos, jogos decisivos.
E em 98 eu estava lá, novamente. Eu e o bando de amigos loucos da escola.
Aquela tarde de domingo chuvosa no Morumbi nos consagrou bicampeões.

E em 99, eu também estava lá.

Noite fria, mas muito quente. Jogo truncado contra o Atlético-MG. Eles mereciam ganhar, mas aqui é Corinthians.
Tricampeão.

Em 2005 o jogo final foi em Goiás. Confesso que tive uma grande vontade de ir, porém toda aquela roubalheira me deixou de certa forma envergonhado. E acompanhei o jogo pela TV.
Somos tetra.

Neste domingo, aquela sensação de ir para mais uma decisão reacendeu dentro de mim. Acordar pensando com qual manto iria sofrer (sim, sofrer - comemorar título só quando o apito final ecoa), que horas sair ,que horas chegar...
Fomos em 4, como os mosqueteiros.
Chegando lá, aquele bando de loucos já insandecidos por tudo o que envolve este título.
Entramos e fomos pro camarote. Visão linda, porém longe do povo, longe do que a gente é.

E existe o bandeirão...

Quando a Gaviões astiou seu bandeirão por toda a extensão da arquibancada vermelha, meus olhos encheram de lágrimas. E de todos ao redor.
Era um misto de alegria, compaixão, felicidad epor estar ali, por ser Corinthians antes de qualquer coisa.

Começa o jogo, e a torcida não pára.

No momento que o Vasco fez o primeiro gol contra o Flamengo, ali pudemos ver que sim, o Palmeiras levou torcida.
Mas a nossa foi maior, e gritou mais alto.

Termina o primeiro tempo. Horrível.

Quinze minutos para começar os 45 mais agoniantes deste campeonato.

Começa o segundo tempo.

O chileno é expulso e tudo fica mais calmo.

O Flamengo empata e nós comemoramos. Muito.

Jorge Henrique nos faz lembrar Edílson contra o mesmo Palmeiras, em 99, na final do paulista que eu também presenciei.

5 minutos de acréscimo no Engenhão... e briga no Pacaembu.

Ainda teve os rojões que a torcida do Palmeiras lançou contra a arquibancada alvi-negra. Mas a PM segurou bem a onda.

Termina no Engenhão...
















Todos se entreolharam, e um falou - somos campeões.
Aos poucos, o estáadio virou uma coisa só. Não havia mais Corinthians x Palmeiras, não havia mais ninguém que tirasse este título da gente.

O mais merecido de todos.

Choramos abraçados, todos. Amigos, conhecidos, trabalhadores do estádio, desconhecidos...
Ao Alessandro levantar a taça, aquela sensação do "eu nunca vou te abandonar" voltou com muita força. Por que Corinthinas é isso: na vitória ou na derrota, na saúde ou na doença, na tristeza ou na alegria.

Ao meu lado existia um lugar reservado. Lugar este que continuará até encontrar alguém que mereça estar ao meu lado em momentos tão importantes como este. Amigos são sempre bem vindos.

Bebemos, comemoramos.


Assisti os vídeos do jogo, as matérias, a comemoração...


Porém o mais emocionante não foi o título, e sim ver mais de 30 mil pessoas com as mãos pra cima, punho cerrado, homenageando o Doutor.

Sim Sócrates, este título é mais que seu.


Pois como ele mesmo disse, "o Corinthians não é um time, é um estado de espírito".

Se ele quis morrer em um domingo com o Corinthians campeão, ele está feliz.



Obrigado Corinthians por ser tudo isso pra gente.

Pessoas?

"As pessoas dizem que se preocupam com você.
As pessoas erram, é fato.
As pessoas choram, sorriem, amam, odeiam.
As pessoas tem em seu coração um sentimento que é só delas.
As pessoas... que pessoas? neste mundo se está sozinho, e quem faz seu destino é você.

Se a arte não ama os fracos, também não aceita fraquejos."

Sobre Vinicius, Chico e os poetas e a vida

Tem mais samba no encontro que na espera.


Assim como os poetas, eu entendo que a vida tem sempre razão.

Porém há esse misto de beleza e dor, alegria e solidão, amargura e amor demais. Entendo que seu companheiro de todas as horas pode ser um copo de whisky, e que quem escreve está se libertando de algum tipo de dor.

"a arte não ama os covardes",disse Vinicius.

Chico foi além, e disse ser um legitimo voyeur da alma feminina, desses que fazem questão de olhar fixamente cada passo de uma mulher.
Segundo Bethânia, Vinicius veio para nos ensinar a dar amor e a receber amor.

Chico nos mostra em sua obra um lirismo raro em qualquer ser humano. Uma liberdade de sentimentos e una forma digna de assumir tais sensações. Entende que o ser humano é carne, osso e sentimento.
Vinicius queria viver cercado de amigos. Talvez assim pudesse dar ênfase à alegria ao invés da dor que carregava. Quando Vinicius escreve "e que seja eterno enquanto dure" ele mesmo assume que o que tanto buscou em seus 9 casamentos era algo inatingível: o amor demais.

Problemas com dinheiro, Itamaraty pegando no pé, caneta e whisky na mão. Assim criou-se o brasileiro mais apaixonado que um dia já pôde existir.

Chico mesmo valendo-se de seus atributos foi casado por muito tempo com apenas uma mulher. E é incrível como mesmo naquela época sem muita informação o mundo pode lhe dar o dom da escrita, o dom de compor, o dom de expressar em poucas linhas o que duramos anos para conseguir entender em poucas palavras.
De Chico Buarque e Vinicius de Moraes carrego apenas a coincidência de também ser brasileiro, um artista brasileiro. Carrego hoje a música que entrou para a posteridade, sua arte, seu sentimento. Como simples brasileiro me curvo às suas obras, me coloco como escravo de meus sentimentos, mas com a certeza de que a vida tem sempre razão.
Esse amor intrínseco em cada alma tocada pelas frases destes nossos 2 ícones supera qualquer superação. É preciso pôr um pouco de cadência senão ninguém no mundo vence. Precisamos girar a roda-viva, a roda de nossas vidas. Precisamos morrer todos os dias e renascer para uma nova jornada, um novo dia. Entender os ciclos, o mundo em que vivemos, que somos diferentes com destinos diferentes, porém de corpo, alma e sentimentos.



Caminho longe de entender os poetas. Não é preciso saber: viver ultrapassa qualquer entendimento.

Meu tempo é quando.

Não aprendi a me render

O meu maior inimigo se chama Gledson Alves Lima.


Dei entrada no hospital ás 01:40 de quinta com sintomas de anemia profunda.
Anêmico, eu?
Por mais estúpido que pareça, sim.
Apenas me lembro de sentir o soro correndo e eu me perguntando (ainda meio sedado) onde estava o vídeo dos Doces Bárbaros que eu estava assistindo. Segundo meu sobrinho, quando ele foi beber água de madrugada viu eu deitado no chão do quarto onde ficam minhas coisas. Chamou meu irmão na hora.

Exames, perguntas, cheiro de amônia.
Apesar de ficar um bom tempo, o Nipo Brasileiro não tinha os equipamentos necessários para um melhor diagnóstico. Corre pro hospital Voluntários.

Leitos disponíveis, lá fiquei.

Lembro-me bem do rost
o do enfermeiro. Parecia o professor de português da 6ª série, o Arthur.
Tomei os medicamentos, ainda sem saber exatamente o que havia acontecido. Lembro que postei no Facebook "Canto de Oxum", pois seu refrão ecoava nos meus ouvidos sem motivo algum.
E cantei ela por quase todo o tempo que estive lá.

Exames, exames, exames...

"As flores tem cheiro de morte"

Meu corpo doía, acredito que pela queda. Porém, segundo a junta médica, a falta de vitaminas causava a dor corpórea.

Minha mente ainda gira.

Dai vieram as entrevistas. Conversei com clínico geral, com cardiologista, com neurologista e, por fim, com uma psicóloga.

"Depois de todos os exames, acreditamos que você teve um início de depressão. Os exames podem apontar algo em seu sangue ou no cérebro, mas eu acredito que por algum motivo você parou de comer e essa anemia se instaurou em seu corpo" - disse ela.

Acharam pequeno vestígio de álcool no sangue, devido á dose de Jack Daniel´s agora diária.
Descartaram drogas também. Viram que sou um cara limpo.

Depois que a junta médica definiu o tempo de liberação, a psicóloga voltou e, enfim, pudemos conversar.
Contei coisas que nem eu sabia que aconteciam. Falei por alguns minutos, mas foi como se anos que vivi passassem pela minha cabeça. As crises, confusões internas, o "quem é o Gledson" e tudo o que cerca essas coisas do ser humano foram ditas.

Os remédios foram suspensos e depois de quase 30 horas de hospital, voltei para casa.

O corpo ainda está doente, a mente gira.

Porém o mais importante que me foi dito está pulsando aqui dentro, e só eu sei como devo resolver isso.
Ou acho que sei.



o último suspiro, e não se fala mais nisso

O seu amor
Ame-o e deixe-o livre para amar
Livre para amar
Livre para amar...

O seu amor
Ame-o e deixe-o ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser ...

O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz.

O seu amor
Ame-o e deixe-o ser o que ele é
Ser o que ele é.



Caetano Veloso

Maybe...

Por vezes fico assim, buscando algo que possa salvar um dia.
As vezes sento, vejo um filme, um documentário.
Em alguns dias fumo demais. Noutros bebo água de menos.
Por instantes acho que tudo não passa de um enorme pesadelo...
Em outros instantes lembro que é real.

Muitas vezes, o coração pulsa feliz. Ultimamente anda solfejando suspiros de tristeza.

Em alguns casos tento no Jack Daniels a calma. Em outros, o Lucky Strike trás pensamentos.
Todavia sei que não há escapatória.

Nunca busco estar triste. Se fico, é natural.

Ouço Chico, leio Caetano, fumo Ari, bebo Vinicius.

Estar só dói.

Busco hoje não lamentar nem invadir a vida das pessoas. Processo difícil quando ainda ecoam frases de acalanto tão esperadas por anos, ouvidas há poucos meses, estragadas por mentiras recentes, embaladas por ilusões atuais.
Se o tempo é remédio, preciso de uma dose milenar.

(via iPhone)

Edson, sempre ele...

A exclusividade não é natural. Não é inerente ao ser humano, não vem gravada no DNA. Se alguém diz que me ama e quer me controlar, então, em verdade não ama. Melhor comprar um bichinho de pelúcia, para dizer que é seu. Se alguém tiver encanto que me pareça suficiente, eu lhe ficarei aos seus pés para sempre — ou enquanto durar o encanto. Entretanto, se saio para alguns vôos livres em vez de ficar no ninho, é sinal que esses vôos me são mais engraçados, mais bonitos, mais necessários, ou mais interessantes do que a permanência no ninho. Como pode alguém culpar-me por ter asas? Desde quando é proibido gostar de voos livres?


Edson Marques.
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