50 Discos: Mutações provenientes de uma década gloriosa - 12/50
Ano de Lançamento - 1993
Gênero - não sei!
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Track List
1 - Rotomusic de Liquidificapum
2 - Sítio do Pica-Pau Amarelo
3 - O Processo de Criação Vai de 10 Até 100 Mil
4 - Meu Coração É uma Privada
5 - Minhas Férias
6 - Meu Pai, Meu Irmão
7 - Hino Nacional do Pato Fu
8 - G.R.E.S
9 - Gimme 30
10 - O Mundo Ainda Não Está Pronto
11 - Eu Sou o Umbigo do Mundo
12 - Amor em Carne e Osso
Sabe uns doidos?
São esses caras ai!
Nesse disco de estréia o Pato Fu fez, na minha inoxidável opinião, uma releitura básica do que Os Mutantes fizeram na década de 60.
Calma! não se exalte e pense que eu estou comparando eles com os nossos X-Men tupiniquins!
Ouvi esse disco na época do lançamento e confesso que não gostei nem um pouco. Mal eu sabia que meus ouvidos não estavam preparados para tamanha revolução auditiva!
O legal desse disco é que eles usaram muitos samplers em diversas músicas, e a mais descarada é "Sítio do Pica-Pau Amarelo", onde eles abusam de tudo o que aquela época permitia (a lei de direitos autorais, samplers e blablablás era bem mais sussa).
Junto dos Fus, , a leva do início dos anos 90 nos trouxe Raimundos, Kleiderman, Chico Science e Nação Zumbi, Little Quail and the Mad Birds, Os Ostras, Mamonas Assassinas (qual o problema?), Mundo Livre S/A e muitas outras bandas, tanto aquelas One Hit Single como aquelas que se consagram até hoje.
Importante é que esse disco me abriu as portas para (pasmém) a lisergia profissional das mentes tropicalistas e, logo depois, a bossa nova e jovem guarda.
Orça "Meu Coração É uma Privada" e "Amor em Carne e Osso"
50 Discos: No meio do véu do rodopio eu pude, então, nos ver!... 5/20
Zunido da Mata - Renata Rosa
Ano: 2004
Gênero: Cultura Popular
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Track List:
1. Corta O Pau
2. Mucunã
3. Sereia
4. Me Leva
5. Rosa
6. Lá Em São Paulo
7. Brilhantina
8. Pimenta Com Pitú
9. Piau
10. Pavão
11. Zunido Da Mata
12. Assentei Praça
13. Serrador
14. Ô Palmeira [Faixa Bonus]
Estava eu na Praça do Relógio (USP) fazendo uma oficina de côco, quando a Carol me mostrou este CD.
Nós já cantarolávamos alguns versos de "Brilhantina", mas eu imaginava que era uma daquelas coisas que você ouve da boca de alguém e não sabe exatamente daonde veio. Indo embora ,a Carol começou a comentar desse CD, e eu pedi que ela gravasse pra mim. No outro dia, nos encontramos e assi mque ela me repassou o CD coloquei no meu Disc-Man e fui ouvindo...
Ali, mal eu sabia mas minha vida percussiva entrava em uma nova fase.
Este CD tem algo que ainda não vi em nenhuma obra de cultura popular: simplicidade com sofisticação.
Ouvir os côcos e saber identificar exatamente todas as linhas, tanto de bombo como de pandeiro, assim como os ganzás, caxixis e maracás... fora a rabeca, simples mas direta. Quando percebi, já estava pirado.
Dia 17/05/2005 foi o primeiro show que assistimos da Renata, no Itaú Cultural. A Carol chorou o show inteiro, eu cantei o show (quase) inteiro, pq no meio ela lança aqueles cantos que ela aprendeu lá no Norte e não fazem parte do disco. Saímos do show e ,em casa, percebi que n]ao havia uma comunidade dela no orkut. Fui lá e criei :D
Ela é paulista mas fez um trabalho por longos anos com as lavadeiras do nordeste. Conheceu mestres de rabeca, cantadores e batuqueiros diversos, e hoje é referência lá fora (principalmente França) de cultura popular brasileira.
Hoje tenho o prazer de poder ir aos shows da Renata e conversarmos, pois ela agradece bastante a ajuda que a gente dá lá na comuna. E por conta dessa moça eu arranho uma rabeca véia!
Indicar apenas poucas canções é difícil.. então, ouça "Sereia" (ponto de umbanda adaptado) e "Piau".
50 Discos: Minha raiz mais sangrenta! - 4/50
Ano de Lançamento: 1996
Gênero: Metal (é mesmo?)
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Track List
01 - Roots Bloody Roots
02 - Attitude
03 - Cut Throat
04 - Ratamahatta
05 - Breed Apart
06 - Straighthate
07 - Spit
08 - Lookaway
09 - Dusted
10 - Born Stubborn
11 - Jasco
12 - Itsári
13 - Ambush
14 - Endangered Species
15 - Dictatorshit
16 - Canyon Jam
17 - Procreation (of the Wicked) (cover do Celtic Frost)
18 - Symptom Of The Universe (cover do Black Sabbath)
Sim, eu sou podre, qual o problema????
Este não foi o primeiro disco do Sepultura que eu ouvi, mas ao ouvir, meus tímpanos estouraram e só lembro de uma frase:
"Caralho!"
Esse disco é essencial, e não apenas para minha pessoa. Aqui, o Sepultura colocou elementos que o Metallica anos atrás buscou com o Black Álbum. Chamou o Carlinhos Brown e mostrou que a música brasileira SIM é forte e pode misturar o que quiser (e fica bom).
Ao começar a intro de "Roots Bloody Roots", algo anuncia: vem ai o melhor disco de Meta lde todos os tempos. Último disco cantado pelo Max, chama o mundo todo para a cultura indígena brasileira (eles ficaram cerca de 8 meses em uma tribo, na Amazônia) e iniciou o que hoje nós (infelizmente) conhecemos por New Metal.
Detalhe para a beleza (de verdade) da música "Itsári", canto indígena cantado na íntegra.
Você quer quebrar tudo ai na sua casa ,ou bater em pessoas no ônibus?
Você quer enfiar seu carro num poste e sair gargalhando?
Você quer mandar seu chefe tomatecrú bem gostoso?
Ouça "Attitude", "Ratamahatta" e "Symptom Of The Universe" na sequência. Nada irá ficar ao seu redor.
E se ficar, ouça o disco todo. Não há Torre Gêmeas que aguente!
50 Discos: Coisas muitos grandes pra esquecer - 3/50
Gênero - MPB / Romântico
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Track List:
01 - Detalhes
02 - Como Dois E Dois
03 - A Namorada
04 - Você Não Sabe O Que Vai Perder
05 - Traumas
06 - Eu Só Tenho Um Caminho
07 - Todos Estão Surdos
08 - Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos
09 - Se Eu Partir
10 - I Love You
11 - De Tanto Amor
12 - Amada, Amante
Se eu fosse escrever uma lista das melhores músicas nacionais entre os anos 60/70, O Rei estaria disparado na frente.
Esse disco rodava incessantemente na vitrola das minhas vizinhas (e eu morria de medo delas) por volta de 1985/86. Eu até sabia a ordem das músicas! (só não sabia o nome delas).
Lembro-me bem quando eu saculejava o esqueleto ao som de "Todos estão Surdos"...
Esse disco é importante pois é aquele disco que conta uma estória, sabe? Já começa com "Detalhes", que não precisa de comentários. E vai, passando por "Como Dois e Dois", "A Namorada" (lindissima música) até chegar na "Amada Amante".
Disco pra ouvir sozinho. Sabe porquê? Porque O Rei é brega, esse disco é brega, mas fala ao coração. E dificilmente seu par vai entender todo esse carinho junto de alguém... só uma boa fossa faz compreender esse disco!
Indicações? "Detalhes", "Todos Estão Surdos" e "Se Eu Partir".
Agora pegue seu copo de Blue Label (cowboy de preferência), sente-se na poltrona, coloque o disco e entenda em apenas um disco o porquê de muitos porquês da sua vida.
Não entendeu?
Você está surdo!!!!!!!!
50 Discos: Desorganizando pra reorganizar - 2/50
Ano de lançamento: 1968
Gênero: Tropicalismo
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Track List:
01 - Miserere Nóbis (Gil)
02 - Coração Materno - (Caetano)
03 - Panis Et Circenses (Os Mutantes)
04 - Lindonéia (Nara Leão)
05 - Parque Industrial (Gil, Caetano, Gal, Tom Zé e Os Mutantes)
06 - Geléia Geral (Gil)
07 - Baby (Caetano e Gal)
08 - Três Caravelas (Gil e Caetano)
09 - Enquanto seu Lobo não Vem (Caetano)
10 - Mamãe, Coragem (Gal)
11 - Bat Macumba (Gil)
12 - Hino ao Nosso Senhor do Bonfim (Todos)
O que falar dele?
Por muitos considerado a grande primeira obra nacional a devastar o mundo com coisas tipicamente novas.
OK, a bossa nova tem seus méritos, claro. Mas o movimento tropicalista trouxe ao país coisas que só vi de novo com o Science trazendo para o Sul a cultura popular.
Os tropicalistas mostraram ao mundo e, principalmente á velha guarda musical brasileira que o bom humor está diretamente ligado á boa música, á arranjos perfeitos e letras simples.
Meu primeiro contato com esse disco foi quando eu estava na sede mutante de entender todo esse processo de 1965 a 1975. Comprei todos os Cd´s que eu achava pela frente d´Os Mutantes justamente pra captar a mensagem desse pessoar maluco. Dai vi esse disco na Galeria e, sem eu saber, dois meses mais tarde eu veria um remake dele no Sesc Pompéia, com direito a Serginho Batista da guitarra, Otto, Vanessa da Mata, Ceumar, Lula Queiroga e o próprio maestro Julio Medaglia (diretor musical e arranjador) juntos mostrando um pouco do que os anos 60 teve de mais brilhante..
Dica: ouça Coração Materno e tente decifrá-la.
Teste: Você já sacou o que a letra de Panis Et Circenses quer dizer?
50 Discos: Jamaica/África-tupiniquim 1/50
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Começo por este disco por uma questão muito importante: foi o primeiro LP a entrar na minha casa, quando eu tinha 8 anos de idade.
Meu irmão pediu de amigo secreto da escola o primeiro disco da Legião Urbana, mas a pessoa não acho ue comprou este (também, ela foi procurar disco na Mesbla! Pô, passava ali do lado do Museu do Disco e achava!)
Meu irmão ouvia quase todo dia esse disco, e eu, ali do lado, prestando atenção. Por ser muito menino, não podia mexer na vitrola e muito menos nas coisas dele, então esperava ele chegar e ir ouvir. Como de praxe, gostei mais da "Melô do Marinheiro" que tocava muito nas rádios e tem uma levada sutil, alegre, tranquila, bem pra dançar mesmo.
Ah, o cara da capa é irmão do Bi Ribeiro, baixista.
Mal eu sabia que este disco seria considerado uma espécie de atestado de maturidade da geração 80 do Rock Brasil. Conectou três matrizes importantes da música negra do (hoje falecido termo)Terceiro Mundo: Bahia, Jamaica e África. Abriu um leque de possibilidades e foi precursor da sonoridade que reinou nos anos 90.
Como o Herbert Vianna cita, “Selvagem é um marco em vários sentidos pelo fato de ele ter tido uma penetração, abrindo mercados, abrindo possibilidades de a gente expandir”. “Com o Selvagem a gente estava tentando nadar em cores nacionais. E ter um retorno tão forte pra gente significou “Uau! Que legal que tenhamos encontrado esse grau de sintonia"
Destaco desse disco as faixas Você (sim sim sim, Tim Maia na área), que é um belo d´um dub romântico, e a fúria contida na faixa-título Selvagem: guitarra distorcida, baixo linear e bateria rasgada.
Não ouviu ainda?
Tá esperaduquê?





