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Discos - Passado de glória nunca se desfez (e jamais será desfeito!) 42/50



140 Anos - Maracatu Leão Coroado
Ano de Lançamento: 2003
Genero: Cultura Popular

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Track List:

1- A bandeira é brasileira
2- Arreda do caminho
3- Belas catitas
4- Braço forte
5- Lanceiro novo
6- Lanceiro. sentido
7- Nação de África, nação de mina
8- Nagô nagô
9- O carnaval tem seus direitos
10- O mestre Luiz de França
11- Õ tabu tabutá
12- Oriô oriô
13- Princesa Dona Isabel
14-Resplendor coroou
15- Samba le le


Talvez este seja o disco de Maracatu Nação mais simples, porém não tenho como não colocá-lo me minha lista. Este disco não tem nada de especial: toque básico, canto simples e letras mais ainda.

Porém, é o Leão Coroado. E isso já me basta!


Tive a oportunidade de comprar este CD das mãos do Mestre Afonso, em sua primeira passagem por SP. Isso foi em 05/05/2005 (tenho o autógrafo dele com a data).
Legal lembrar que nesta época, mais precisamente naquela semana, muita coisa aconteceu, e coisas que hoje fazem TOTAL sentido e as quais minha vida seria apenas mais uma vida.

Ao comprar este CD, sai da oficina e coloquei ele no meu discman (os mais novos não devem conhecer esta relíquia) no ponto de onibus.
Fui ouvindo... e achei bem simples mesmo.

O que mais chama atenção é o começo, onde o próprio Mestre Luis de França (1901 - 1997) nos ensina a cantar a primeira toada.

Acredito que o que mais chama a atenção no CD não é a música em si, mas sim toda a história do Leão. Uma ação de está em atividade desde 1963, que não desfila no carnaval pois quer manter suas origens de tradíção e não de disputas (nada contra ás outras nações, óbvio) e mantém o toque o o grande mestre Luiz nos ensinou.
Algo que nunca esqueço são os dois depoimentos do mestre Chacon (Nação do Maracatu Porto Rico) e do mestre Walter (Estrela Brilhante de Recife).


Chacon me disse:

"Eu não sou mestre de Maracatu. Na verdade só conheci um único mestre, que foi o Sr. Luiz de França. Nem eu, nem Walter, nem Gilmar, nem ninguém é mestre de maracatu além do Sr. Luiz"


Valter disse:

"Se não fosse o Luiz de França me dar uma caixa quando eu era ainda um menino, eu não estaria onde estou hoje, contribuindo para a disseminação desta cultura. O Sr. Luiz é o estandarte do baque virado a partir do século XX"


E eu pude ouvir isso da boca dos dois...

Pois é... O Mestre Luiz de França foi o nosso professor.. a tocar o baque viraod, foi ele quen nos ensinou!


Finalizo com a melhor toada de todas, porém que não se encontra neste CD:


Esse maracatu foi fundado em 1963
Codinome Leão Coroado
Passado de glória nunca se desfez

É o maracatu mais antigo, pois nenhum museu nunca lhe acolheu
Nós somos de nação germana,
Semente africana Xango pai nos deu


Como li há pouco, Coroado seja o Maracatu do Leão (é nóis, Dani!)

Discos - Eu não deixo, não aceito, não abro, não permito, não tolero botar a perder essa bendita ereção - 41/50



O Dinheiro Não é Tudo, Mas é 100% - Falcão
Ano de Lançamento: 1994
Genero: MPB (Música Popular Brega)

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Track List:

1. Onde houver fé, que eu leve a dúvida
2. As bonitas que me perdoem, mas a feiúra é de lascar
3. O desgosto que tua mãe me deu
4. Prometo não ejacular na sua boca
5. Isaltina
6. Ai! Minha Mãe
7. Um bodegueiro na FIEC
8. O dinheiro não é tudo, mas é 100%
9. Black people car (Fuscão Preto)
10. Ah! Uma jaula
11. A influência da farinha na alimentação cearense
12. A volta do regresso



Não, eu não estou brincando.Este disco está sim em minha lista dos 50 melhores.
Por ser filho de nordestinos, tenho uma tendencia histórica e familiar de ouvir coisas lá de cima (mas nem tudo). Á época de lançamento deste disco, o povo ouvia direto o mesmo. E não há como não achar engraçado ou mesmo muito inteligente as rimas e contas que este verdadeiro ícone da música popular canta em todos os seus discos.
Hoje em dia tenho toda a doscografia dele, porém este aqui com certeza é o melhor na minha opinião. Letras arcásticas, rimas dúbias ou indo direto ao ponto (seja esse qual for) nos fazem imaginar uma porção de coisas, boas ou não.
Por exemplo, eis aqui uma pergunta:

"Supunhetemos que, de repentelhos
O mundo inteiro se descabaçasse,
Ora, mas não se ria minha senhora
Pois sua filha pode estar aqui dentro..."

Ou ainda:

"Não é verdade que mulher feia só sirva pra peidar em festa"

E um verdadeiro hino á nossa nação:


"Ó pátria amada
Ó Brasil do meu Brasil
Minha família e também meus conterrâneos
Eu gosto porque foi aqui onde eu nasci
Terra querida
Meu Brasil aureliano
Nós fumo e viemo
E até que demoremo
Não fiquemo por que se lembremo
Da terra que nós abandonemo
Agora que já voltemo
Vamo abraçar a quem nós desprezemo
E salve, salve: amém da pátria
Meu Brasil
Ó terra amada que nós nunca se esquecemo"


Poético, não?

Abra a cabeça e de uma chance á este disco.
Garanto que pelo menos ótimas risadas voce irá dar!

Discos - eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer, pra poder te negar bem no último instante - 40/50


Balada MTV - Barão Vermelho
Genero: Pop Rock
Ano de Lançamento: 1999

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Track List:


1. Bilhetinho Azul
2. Tente Outra Vez
3. Por Que A Gente é Assim
4. Enquanto Ela Não Chegar
5. Por Você
6. Meus Bons Amigos
7. Pedra,Flor e Espinho
8. O Poeta Está Vivo
9. Eu Queria Ter Uma Bomba
10. O Tempo Não Pára
11. Todo Amor Que Houver Nesta Vida
12. Puro Êxtase
13. Pense e Dance
14. Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto



Entro na linha dos 10 últimos discos da minha lista dos 50 melhores falando de uma das melhores produções que a MTV já criou.
Quando este disco foi lançado, eu estava no auge dos shows nacionais. Não me empolguei muito com o lançamento do disco, porém quando vi o documentário do Barão e as gravações, corri pra loja e o comprei.

Logo na primeira faixa, uma canção que há muito eu não ouvia, de rimas simples, bluezão de primeira citando um tal bilhetinho todo azul com seus garranchos, que dizia "xuxu, vou me mandar pra Bahia, talvez volte qualquer dia" e que "o certo é que to to vivendo, eu to tentando, nosso amor foi um engano".
Qualquer semelhança com fatos ou pessoas é mera coincidencia.
Logo depois, uma das melhores versões de uma canção do Raul que já ouvi. "Tente Outra Vez" vem como uma porrada no peito, cheia de esperanças.
Seguindo, "Porque a Gente é Assim" vem rearranjada (com direito a alfaia) e cheia de mensagens subliminares.
Vem os hits padrão "Enquanto Ela Não Chegar"e "Por Voce", em versões lindas.
Depois, mais duas porradas: "Meus Bons Amigos" (uma canção maravilhosa) e seguido dela uma das que eu considero um hino do rock nacional. "Pedra, Flor e Espinho"totalmente diferente do que poderíamos esperar, mas com um toque brazuka/árabe de arrepiar.

O disco segue muito bem. Fala de bombas e de frases feitas, fala dos grande amores que houverem nesta vida, poetas que visitaram o Jardim do Éden, pensamentos sobre a vida e a forma de alimentar todos os desejos, ladrões, bichas, maconheiros, medo da vida... ANIMAL!

Finaliza com outra bela versão de "Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto", com direito ao solo de "Here Comes The Sun", dos 4Four.


Pra cantar? Solte o verbo!


Hoje, eu não quero ver o sol
Vou prá noite, tudo vai rolar
O meu coração é só um desejo de prazer
Não quer flor, não quer saber de espinho
Mas se você quiser tudo pode acontecer no caminho
Mas se você quiser sou pedra, flor, espinho

Automóveis piscam os seus faróis
Sexo nas esquinas, violentas paixões
Não me diga não, não me diga o que fazer
Não me fale, não me fale de você

Mas se você quiser, eu bebo o seu vinho
Mas se você quiser sou pedra, flor e espinho

Eu quero te ter
Não me venha falar de medo
Não me diga não
Olhos negros, olhos negros

Eu quero ver você
Ser o seu maior brinquedo
Te satisfazer
Olhos negros, olhos negros

Olhos que procuram em silêncio
Ver nas coisas, cores irreais
O seu instinto, é o meu desejo mais puro
Esse seu ar obscuro
Meu objeto de prazer
Mas se você quiser, eu bebo o seu vinho
Mas se você quiser sou pedra, flor, espinho

Eu quero te ter
Não me venha falar de medo
Não de me diga não
Olhos negros, olhos negros
Eu quero ver você
Ser o seu maior brinquedo
Te satisfazer
Olhos negros, olhos negros

Discos - Minha sina é bater côco, tava quieto, pra que mandou me chamar?... 38/50


Segura o Cordão - Tiné
Ano de Lançamento: 2004
Genero: Popular (há controvérsias)

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Track List:

01. Mané Bacurau
02. Vento Corredor
03. Grito, Relampo, Trovão
04. Lula Calixto
05. Festa no Coco
06. Sete Cachorro
07. O Pato
08. Cobrinha
09. Lavandera
10. Cruzeiro Velho
11. Batalha
12. Um Vento Só
13. Almu'Addin
14. Segura o Cordão


Depois de escrever o post "o que baque é esse que to escutando", fui buscar minhas referencias musicais. Discos, faixas soltas, releases, documentos, fotos... e dentro de tudo isso reencontrei Tiné.
Na época do lançamento deste disco eu estava totalmente atento ás bandas de Pernambuco. Bandas como Eddie, Academia da Berlinda, Mombojó, Maciel Salu e o Terno do Terreiro, Comadre Florzinha e tantos outros. Foi nessa época inclusive que o Mestre Ambrósio anunciou o término de seus trabalhos.
E no meio do redemoinho, a linda
Talita me apresentou este disco.
A primeira audição foi esperando o que eu estava procurando: as percussões. Porém não dá pra não prestar atenção nas letras, nas cordas, nos sopros... um canto doce, ecoando o que há de mais lírico na poesia nordestina: o dia-a-dia das pessoas, o caçador, as "lavanderas"...
Esse disco é muito importante também para a música nordestina em geral. Foi usado um método não tão comum no genero popular, que foi o contraponto (no emprego de duas ou mais melodias simultâneas ao invés do simples acompanhamento, mas também utilizadas em formas populares como o próprio choro). Vale também incluir estas informações abaixo que achei no sombarato.org:

- As participações especiais ficam por conta do Samba de Coco Raízes de Arcoverde; do rabequeiro Siba; dos cantores Maciel Salu, Isaar, Alessandra Leão, Karina Buhr (Comadre Fulozinha) e Dona Cila do Coco; do cantor e compositor Nilton Jr. (O Pandeiro do Mestre); do flautista Sérgio Campelo (Sa Grama); do baixista e compositor Hugo Linns; dos percussionistas Gilson Filho (Bonsucesso Samba Clube) e Sidclei (Ticuqueiros e Isaar); e do vocalista Maneco.

- Em 2005, o produtor japonês Makoto Kubota inlcui a faixa "Vento Corredor"(Tiné e Caçapa) na coletânea "Nordeste Atômico Vol.1" dedicada à música produzida atualmente em Pernambuco.

-Neste mesmo ano o DJ Bruno Pedrosa incluiu, na coletânea "Transformer", um remix da faixa "Cobrinha", criado por Gabriel Furtado especialmente para este projeto.

- Em 2006 a faixa "Cobrinha" foi incluída na coletânea "What's Happening in Pernambuco" lançada nos Estados Unidos pelo selo Luaka Bop, criado por David Byrne (ex-Talking Heads).

- Em 2007, a faixa "Vento Corredor" foi escolhida pessoalmente pelo cineasta Luiz Fernando Carvalho para fazer parte da coletânea "Projeto Quadrante: A Pedra do Reino", lançada nacionalmente pela Som Livre.


É um disco belíssimo. Começa já com um bom forró pé-de-serra, partindo depois pra melodias maravilhosas, cocos, cantar das lavanderas.... até "O Pato", de João Gilberto tá na história.

Destaco "Vento Corredor", uma das canções mais belas que já ouvi da cultura popular brasileira:


Cabelo de ouro
Arreio de prata
Era um cavalo corredor
Feito fogo lá na mata

Cancão já piou, mato cortador
Gibão castigado
Vou levar uma só fulô
E no peito u'a só saudade

Era vento e claridade
Que a mata se iluminou
Iluminou os espinhos, e o breu da noite apagou
Fogo encantado do mato,
Mato de faixo e fulô
fulô que enfeita o caminho
Caminho que o vento cortou

Vai corredor, vai corredor
Embrenha no mato, corredor
Vai corredor, vai corredor
Embrenha no mato, corredor

Discos - Mas percebo agora que o MEU sorriso vem diferente, quase parecendo me ferir... - 37/50


Dois - Legião Urbana
Ano de Lançamento: 1986
Genero: Pop Rock
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Track List:

1. Daniel da Cova dos Leões
2. Quase Sem Querer
3. Acrilic on Canvas
4. Eduardo e Monica
5. Central do Brasil
6 Tempo Perdido
7. Metrópole
8. Plantas Embaixo do Aquário
9. Música Urbana 2
10. Andrea Doria
11. Fábrica
12. "Indios"



"Mãe, é Legião Urbana... capa dourada e tem escrito "Dois" mas não dá pra ler, tá?"

Essa talvez seja uma das frases que ouvi por volta dos meus 7 anos e que mais me lembro...
Esse era meu irmão. De natal, pediu pra minha mãe ir comprar no Carrefour o disco. Claro que a velha não achou.
Ele pediu o disco de amigo secreto, mas acabou ganhando o "Selvagem?"dos Paralamas (que inclusive é o
primeiro disco desta lista dos 50).
Não me lembro bem em qual ocasião, mas lembro que meu irmão chegou com esse disco em casa. De tanto ouvir falar dele, estava já muito curioso pra saber o que nos esperava naquelas linhas de vinil cortadas em formato de música (e também entender o porque de não conseguir ler o "Dois" escrito - estava em relevo).
Foram os dias passando e as músicas rolando. Percebi que algumas canções ali eu já sabia mais ou menos, pois meu irmão sempre ouvia rádio e tinha as letras na ponta da língua.

Já adolescente, fui ouvindo os discos e entendendo muita coisa. Depois comecei a pesquisar coisas sobre a Legião e "mensagens subliminares" que estão dentro de quase todos os discos e encartes. Algo bem interessante é que a versão de "Eduardo e Monica"do disco não é a original, como podemos ver abaixo apenas o trecho que foi alterado:



"...Batalharam grana, seguraram legal a barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica, então decidiram se casar
Um casamento indiano em algum lugar perto do mar
"O mar tá muito longe" um deles lembrou, vai ser aqui mesmo e assim ficou

Foram p'ra Bahia e outro deles, Eduardo, foi parar lá no Banco Central
Cristalina, Sampaio, Rio de Janeiro e a Mônica dá aula na escola normal
Eduardo e Mônica estão no lado norte ele projetou a casa e ajudou na construção
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação
E quem um dia irá dizer que existe razão...'



A música "Metrópole"também segue outra letra, dessa vez totalmente diferente da que está no disco:

"Faça um favor a sim mesmo: cometa suicidio.
Se jogue do andar mais alto de um dos seus edificios.
Assalto à mão armada, eu quero a sua vida- eu quero ver você no chão.
Pisar nas flores, destruir/construir um estacionamento.
As crianças vão ter que brincar num labirinto de cimento.
Eu quero acidentes, eu quero confusão: ferros e freios na contramão.
Metrópole fez cinza o meu sangue.
"



Temos também "Tempo Perdido" alterada, mas não me recordo as alterações.


O "Dois"está na lista dos 100 melhores discos da Música Popular Brasileira da revista Rooling Stone nacional, ficando em 21º. Legal que o Renato sempre dizia que "o Dois era pra ser dois, duplo, e ninguém deixou"por conta do mercado fonográfico ainda não arriscar discos duplos, ainda mais porque era apenas o segundo disco deles, e seria muito arriscado.
A faixa "Daniel na Cova dos Leões"abre o disco e no início da gravação, ouve-se algo parecido com um rádio mal-sintonizado tocando um trecho de "Será" e alguns trechos do hino da Internacional Socialista. A música "Química"do disco "Que País é Este" foi como faixa bonus do "Dois", mas só em K7. A versão do K7 inclusive é diferente da que foi gravada no álbum posterior.
"Andrea Doria" faz referência a um navio italiano, o SS Andrea Doria, que seguia para Nova York quando naufragou em 25 de julho de 1956, após se chocar com uma outra embarcação que me falha o nome agora (ok, poderia usar o Google mas prefiro deixar assim... minha memória anda boa ultimamente pra algumas coisas).
Destaco "Acrilic on Canvas", "Tempo Perdido", "Andrea Doria" e "'Indios".

Discaço.. me lembra demais ótimas sensações e momentos únicos.....
É o quarto disco de 10 lançados da Legião Urbana que eu posto aqui. Por mim, postaria todos, cada qual com sua história particular e importancia para mim.

Pra fechar, uma verdadeira pérola composta por Dado/Russo/Bonfá/Rocha (e totalmente dentro do contexto atual)


"Às vezes parecia
Que de tanto acreditar
Em tudo que achávamos
Tão certo...

Teríamos o mundo inteiro
E até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços
De vidro...

Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente
Quase parecendo te ferir
...

Não queria te ver assim
Quero a tua força
Como era antes
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.


Às vezes parecia
Que era só improvisar
E o mundo então seria
Um livro aberto...

Até chegar o dia
Em que tentamos ter demais
Vendendo fácil
O que não tinha preço

Eu sei, é tudo sem sentido....

Quero ter alguém
Com quem conversar
Alguém que depois
Não use o que eu disse
Contra mim...

Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui
E com a minha própria lei

Tenho o que ficou,
E tenho sorte até demais

Como sei que tens também.

50 Discos - Meu maracatu ainda pesa uma tonelada! - 31/50


Nação Zumbi - homônimo
Ano de lançamento - 2002
Gênero - Mangue Beat (é?)


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Track List:

1 - Blunt of Judah
2 - Mormaço
3 - Propaganda
4 - Amnesia Express
5 - Meu maracatu pesa uma tonelada
6 - Faz tempo
7 - Prato de flores
8 - Know now
9 - Ogan Di Belê
10 - Caldo de cana
11 - O fogo anda comigo
12 - Tempo amarelo





"Carrego pr´onde vou o peso do meu som, lotando minha bagagem..."

Este post tinha que começar com esta frase!

A primeira vez que eu ouvi parte deste disco foi a caminho do Encontro de Batuqueiros e Dançarinos de Maracat ude Baque Virado em Itu, no ano de 2003. Lembro que o Dé foi buscar eu e o Filipe na rodoviária de Itú e estava ouvindo esse disco...
Já na primeira audição as batidas fortes da Nação ficaram na minha cabeça. Eu era daqueles que duvidavam do poder dos caras sem o Science, mas tinha ficado com uma boa impressão deles co ma participação no show da Cássia Eller no Rock in Rio III em janeiro de 2001 (eles tinham acabado de lançar o Radio S.A.M.B.A.) e também com a participação deles no acústico da própria Cássia, em março de 2003 (onde eu estive na gravação dos dois dias).
Realmente esse disco é o melhor da Nação Zumbi (na minha careca opinião), onde eles calaram a boca de muita gente mostrando que o talento deles é marcante quando se trata do tal "mangue beat".
Ok, sem o Science é outra coisa, mas os meninos mandaram muito bem!

Destaques para "Prato de Flores", "Propaganda", "Mormaço" e (óbvio!) "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada"

Ah! e sabe o porquê da frase inicial?
Porque sempre que você me encontrar, vai ver que eu estou com algum instrumento ou um afinador! Sendo assim, carrego pr´onde vou o peso do meu som!!

50 discos - Há bem mais sóis crestando entre as estrelas... - 30/50




Terceiro Samba - Mestre Ambrósio
Ano de lançamento - 2001
Gênero - Popular
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Track List:

1 - Caninana
2 - Povo
3 - Vida
4 - Gavião
5 - Coqueiros
6 - Fera
7 - Carneirinho
8 - Saudade
9 - Sóis
10 - No Bojo da Macaíba
11 - Espírito da Mata
12 - Cabôcla (vinheta)
13 - Mestre Guia
14 - Lembrança de Folha Seca
15 - Sóis (Marcha)



Faz tempo, né???

Tempo que eu não escrevo aqui e tempo que esse disco foi lançado.
Muitas águas rolaram... desde o último disco postado e desde que este foi lançado.
Enfim, o post é sobre o disco!

Fuçando entre meus discos perdidos em casa achei esse, e deixei de lado pra uma boa audição em algum dia que eu não sabia quando seria.
Dai um brother me chamou pra tocar samba de roda num evento em comemoração da Semana da Consciência Negra... e me veio na cabeça a frase que abre esse disco:

"Eu tava em casa,
deitado na minha cama
Lá chegou os camaradas
pra tocar côco em Goiana..."


Ok, não foi côco... rs

Dai resolvi ouvir esse disco novamente... e por surpresa minha lembrei de muitas coisas que aconteceram na época e são importantes até hoje...
Esse disco é o mais diferente dos Ambrósios... tem realmente mais "sambas" e foge mais do lance roots dos outros discos... na real é um misto dos forrós rabecados com os côcos sofisticados que eles costumam fazer. Mas ach oesse disco mais relacionado á frases diretas, um sentimento de saudade no geral.
Foi o último disco dos Ambrósios, dai eles foram pra carreira solo: Hélder Vasconcelos foi pro lado do caboclinho (não lançou disco), Eder O Rocha lançou "O Circo do Rocha" (que até hoje eu não entendi poooorra nenhuma desse disco) e vive do passado de ter trazido o baque virado pra SP, Sérgio Cassiano lançou um disco que eu não lembro o nome e tb deixou a desejar; Mazinho Lima ficou nas produças (e produziu o primeiro da Renata Rosa, junto do Eder), Maurício Alves continua com os projetos sociais perfectos (e também tem um grupo de côco fudido, chamado Côco Seco, junto do Mazinho) e o Siba que, pra mim, foi o mais bem sucedido na carreira solo, lançado dois discos e atualmente um DVD junto do grupo Fuloresta do Samba.

Recomendo "Gavião", "Fera" (feita pelo Siba pra Renata Rosa, namorada dele na época), "No Bojo da Macaíba" e "Sóis".


Fecho com uma letra mor bonita desse disco:


Não tenho mais a saudade,
Não sinto mais essa dor!
Meu coração hoje mora
Na casa de um vencedor
Onde se habita a beleza,
Não chora flor!

Em solo firme e sentimento
Construi feliz morada
Na base em pedra, ergui tijolo,
Qual liga em aço, fiz cimento

Pra não seguir no sofrimento
Instrui minha jornada.
Ne mfiz na areia, como um tolo,
Abrigo frágil pro tormento.

Nem vendaval, nem tempestade
Vão abalar ou sequer incomodar
Onde alegria fez um lar
Sempre em festa, como esta.
E hoje, pra comemorar
O doce enterro da saudade!


Saudade - Sérgio Cassiano

50 Discos - ...prometo te deixar quando acabar... - 29/50


Saiba - Arnaldo Antunes
Ano de lançamento - 2004
Gênero - MPB

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Track List:

1 - Saiba
2 - Pedido de Casamento
3 - Cachimbo
4 - Imaginou
5 - Cabimento
6 - Grão de amor
7 - Se assim quiser
8 - Elizabete no Chuí
9 - Onde estavas, lugar?
10 - A Nossa Casa
11 - Consumado
12 - Itapuana
13 - Areia
14 - A Razão dá-se a Quem Tem


Detalhe pertinente: esses pés na capa do disco são os pés do Arnaldo Antunes, quando nasceu =)

Motivado pelo lançamento do novo disco do Arnaldo Antunes (Iê Iê Iê), resolvi postar este disco que, para mim, é o melhor dele.
Sou fanzaço do Arnaldo desde os tempos remotos do "Silêncio" até chegar agora no velho e bom Iê Iê Iê... gosto muito mais das coisas malucas dele do que as coisinhas bonitinhas (os dois últimos discos do Arnaldo eu achei bastante monótonos, por ser só voz e violões).
Este disco acima é uma mescla de tudo isso. Tem as maluquices convencionais, como "Elizabete no Chuí" e "A Razão dá-se a Quem Tem" (esta última uma releitura do crássico de Noel Rosa.
O disco começa bem bobinho, com "Saiba", depois vem uma das melhores músicas dele (Pedido de Casamento), seguindo de "Cachimbo" (foderástica por sinal), e dai descamba num mundo bem abstrato, passeando pela forma única de parafrasear que o Arnaldo tem.
Tem as sempre presentes parcerias com Carlinhos Brown, Marisa Monte, Dadi (um dos melhores baixistas brasileiro da época de 70, foi quem gravou o
Acabou Chorare dos Novos Baianos) e a participação não mais especial mas fundamental do Edgar Scandurra.
Disco foda, cara foda... e agora em Outubro já me preparo pra assistir mais um(s) show(s) dele.

Deste disco citado, indico "Cachimbo". Poderia indicar outras, porém são muito mais pessoais ;)


Sou a madeira que sempre fico na beira
Perfume de sarro e cera que dança no seu beicinho
É evidente que sou preso pelos dentes
Chaminé dos inocentes
embebedo de mancinho
Sou pau de boca de saci amajistrado,

desejado e adorado,
alimentado pelo fumo
Mata cachorro bem capacho distraído
carimbado e mau vestido
que eu num sei qual e meu rumo
Sou a birita mescla de cachaça e mel,

cabeça seca pelo céu pela chama do atrito
No meu fornilho se deita qualquer tabaco

a chupada me faz fraco
sou um verdadeiro pito
Seu pensador vê se decifra para mim

eu já passei por tanto horror
porque é que não morri?
Será que é só pra manter o combinado
que pra ter um chupador ter que nascer um já chupado?

Tá assustado?

50 Discos - Reconhece a queda e não desanima - 28/50




Cada Vez Melhor - Noite Ilustrada
Ano de Lançamento : 1986
Gênero : Samba / MPB

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Track List:
01 - Pot-pourri de Noite Ilustrada: • Toalha de mesa • Pedrinhas de cor • Idade de fazer bobagem • Marina• Balada nº 7 • O neguinho e a senhorita • Volta por cima
02 - Água bebida
03 - Samba do amigo
04 - Mariazinha Nazaré
05 - Menor abandonado
06 - Minha rainha
07 - Como eu era importante ao lado dela
08 - Pot-pourri de Nelson Cavaquinho: • Palhaço • Degraus da vida • Rugas• Notícia• Folhas caídas • Luz negra • A flor e o espinho • Quando eu me chamar saudade


Como citei em posts abaixo, estou atualmente lendo "A História Sexual da MPB". Esse disco conta em ordem cronológica artistas, músicas e factos interessantes sobre nossa música.
E dentre estes factos, o Noite Ilustrada foi citado. Não pude deixar deixar de lembrar desse disco acima, que foi presença marcante na minha infância.
Meu pai comprou esse disco logo após o lançamento (86) e rolava em toda festa em casa, e mesmo aos finais de semana. Confesso que enchia o saco ouvir a mesma coisa sempre, mas pra um menino que estava prestes a se tornar um músico, creio que esse lance foi extremamente importante para uma ótima formação musical da minha pessoa.
Esse disco abre com o melhor pout-pourri de todos os tempos... cada música conta uma história diferente, mas marcante.
Continuando o disco temos pérolas de Noel Rosa, Edvaldo Gouveia, Rita Ribeiro, Guilherme de Brito, Paulo Vanzolini, Nelson Cavaquinho, dentre outros desconhecidos para a grande maioria do povo brasileiro, mas imprescindíveis na música popular brasileira e, acima de tudo, no samba.
Bem, o nome do cara não é Noite Ilustrada (óbvio), é Mário Sousa Marques Filho, e morreu em 2003 de câncer no pulmão.
Abaixo, segue a pérola desse cara.

Jurei não amar ninguém, mas você veio chegando
e eu fui chegando também
Daí, teu olhar no meu olhar,
Depois, tua mão na minha mão...
Na toalha de mesa de um bar você desenhou um coração
Quem ama fica cego e nada vê
escuta mil verdades mas não crê
Vê na pessoa amada a imagem pura da bondade,
embora seja imagem da maldade.
Eu vi mil qualidades em você
Mas hoje, felizmente, sei por quê
é que eu estava cego,
estava sim, não nego
cego de amores por você

Ela tem 18 anos
eu vou fazer 56
Carrego os meus desenganos,
e ela sonha em ser feliz, imaginem vocês.
Isso pode ser amor,
Mas pode ser também tudo ilusão, tudo miragem.
Ela está no período sonhador
E eu na idade de fazer bobagem.

Tá ai, o samba que você pediu Marina, tá ai
Eu fiz tudo e você desistiu, Marina, tá ai
Todo amor, toda a minha afeição
E você vai me matando pouco a pouco de paixão.
Saudade, amor, paixão não se controla
Meu bem, meu amor Marina, e a outro Marina vive dando bola
Não é possível eu viver assim:
Marina, você é o princípio do meu fim.

Sua ilusão entra em campo num estádio vazio
Uma torcida de sonhos aplauda, talvez.
O velho atleta recorda as jogadas felizes,
mata a saudade no peito, driblando a emoção.
Hoje outros craques repetem as suas jogadas
Ainda na rede balança seu último gol.
Mas pela vida, impedido, parou.
E para sempre o jogo acabou:
suas pernas cansadas correram pro nada
E o time do tempo ganhou.

O Neguinho gostou da filha da Madame
Que nós tratamos de sinhá
Senhorita também gostou do Neguinho
mas o Neguinho não tem dinheiro pra gastar
A Madame tem preconceito de cor
não pode evitar esse amor.
Senhorita foi morar lá na Colina
com o Neguinho que é compositor

Chorei,
Não procurei esconder, todos viram...
Fingiram,
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei qualquer um chorava!
Dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava.
Um homem de moral não fica no chão, nem quer que mulher lhe venha dar a mão
Reconhece a queda e não desanima:
Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!

50 discos: Cilibrina pra lá, Cilibrina pra cá.. - 25/50




Arnaldo Baptista - Lóki?
Ano de Lançamento: 1974
Gênero: MPB

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Track List:


1 - Será Que Eu Vou Virar Bolor?
2- Uma Pessoa Só
3 - Não Estou Nem Aí
4 - Vou Me Afundar Na Lingerie

5 - Honky Tonky (Patrulha do Espaço)
6 - Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?
7 - Desculpe
8 - Navegar de Novo
9 - Te Amo Podes Crer
10 - É Fácil


Esse disco é peça fundamental no entendimento do porquê da separação dos Mutantes.
Mas antes de historinhas, o meu porquê dele estar aqui dentre os meus álbuns mais queridos... o fato é simples: este disco é simples!
O Arnaldo, no auge de suas loucuras, fez este disco como uma espécie de desabafo / pedido de desculpas pelo monte de merda que ele fez com a Rita Lee. Tanto que a canção "Desculpe" não tem esse nome á toa. Fora que, antes do refrão, ele solta a primeira letra do nome da Rita, e isso se transforma num grito... seria coincidência?
Aqui, Arnaldo não usou guitarras... em apena suma canção é usado um violão tocado por ele mesmo, onde em todas as outras canções é usado seu piano como base de tudo. Aqui também achamos um "reencontro" mutante na faixa "Uma Pessoa Só" (que entraria num frustrado disco dos Mutantes, não gravado, antes da saída da Rita.
Eles tinham um lance muito forte com esse papo de "uma pessoa só". Ao descobrirem LSD e ácidos em geral, ficavam tão forte na mesma sintonia que se sentiam todos em um, todos em uma pessoa só como dita a música.
Arnaldo e Rita ainda se reencontraram nesse disco, onde ela faz backing vocals na própria "Uma Pessoa Só". Sergío, seu irmão, não tem participação nesse disco.
O legal é que nesse disco o Arnaldo mesmo disse uma da spoucas inspirações melódicas dele foi o "Tábua de Esmeraldas" (citado pela Lelê) do nosso Salve-Jorge Ben. Mas é fa to ouvir o Lóki? e não achar NENHUMA ligação com esse disco!

Ficou mesmo a melancolia da separação da Rita, da destruição de seus sonhos mutantes e, anos mais tarde, uma tentativa de suicídio.
Quem não conhece esse cara, tá na hora (crusives tem um documentário dele em cartaz).
Músicas?

"Será Que Eu Vou Virar Bolor?", "Uma Pessoa Só ", "Vou Me Afundar Na Lingerie" e "Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?"

50 Discos: e eu era um canalha juvenil...! 24/50


Raimundos - Raimundos
Ano de Lançamento: 1994
Gênero: Rock Nacional

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Track List:

1 - Puteiro em João Pessoa
2 - Palhas Do Coqueiro
3 - MM's
4 - Minha Cunhada

5 - Rapante
6 - Carro Forte
7 - Nêga Jurema

8 - Deixei De Fumar (Cana Caiana)
9 - Cajueiro (Rio das Pedras)
10 - Be-a-bá
11 - Bicharada

12 - Marujo
13 - Cintura Fina

14 - Selim
15 - Puteiro Em João Pessoa 2
16 - Selim (acústico)







Uma das ótimas coisas que os 90´s nos deu!

Lembro até hoje. Eu, um garoto de meus (hmmmm) 18 anos ouvindo na falecida 89 FM o programa Grafite com o Bob Fernandes, e ele me lança "Selim".
Cara, como assim?
Se eu quando era pequeno, ao ouvir "Faroeste Caboclo" ficava com vergonha do "filho da puta, maconheiro sem vergonha" ou do "com o cú na mão", imagina ouvir uma canção que diz que quer ver o ânus da mina suar?
Não demorou muito e comprei esse CD. Já estavam nas rádios e na MTV "Nêga Jurema" e também 'Selim". ao ouvir esse disco, percebi que no era apenas uma banda que quis ser cover do Ramones, mas que tinha uma puta qualidade.
OK, as letras não ajudam muito, eu sei! mas pense numa poesia como esta:



"Da mulher eu faço carro forte,
Dos peitos faço o farol e do pentelho a instalação.
Do mijo dela eu fabrico a gasolina
Do cú faço a buzina ,e do pinguelo, freio de mão.
Do meu pau eu faço a manivela, toca na buceta dela e tira o carro do sertão..."


Só um bom poeteiro, concorda?

E essa?


"Quando o meu pinto se sentir um pouco frouxo,
Vou te botar de quatro ,ai por no seu roxo
Não! não é assim que se fode não!"

Apesar das letras escrachadas e da sugestiva alusão á maconha e á cocaína, esse disco rompeu parâmetros dos anos 80, citando com força e fúria que não é necessári oestar e mgrandes centros (SP / RJ) para se ter uma boa banda, original e diferente.
Sinto uma pitada de dor ao ouvir "Marujo" pois eles cantam:

"...e é por isso que os Raimundos nunca vai se acabar"

Acabou.

Por dinheiro, luxúria, brigas internas....
E todos nós perdemos (o Rodolfo perdeu muito mais!)

50 discos: Minha autobiografia - 7/50


V - Legião Urbana

Ano de lançamento: 1991

Gênero: rock nacional


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Track List
1 - Love Song
2 - Metal Contra as Nuvens
3 - A Ordem dos Templários

4 - A Montanha Mágica
5 - O Teatro dos Vampiros

6 - Sereníssima
7- Vento no Litoral
8 - O Mundo Anda Tão Complicado

9 - L'âge D'or
10 - Come Share My Life

Nada como postar um disco que cite você dos pés á cabeça, certo?


Pois aqui está uma obra á qual reverencio vorazmente. O "V" veio como um vendaval, derrubou tudo e a cada dia que passa demonstra em sua face negra coisas da vida que talvez nem o Renato Russo imaginasse.

Detalhes interessantes:

1 - A citação sobre cavalos-marinhos na música "Vento no Litoral" provavelmente se refere a fidelidade do casal de cavalos-marinhos, pois acreditava-se que eles ficam juntos por toda a vida. Pesquisas recentes da Faculdade de Veterinária da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, demonstram que nem sempre isso acontece;

2- A turnê de divulgação do "V" teve de ser interrompida devido a situação insustentável das crises alcoólicas do Renato;

3 - "A Montanha Mágica" também é o nome de um livro escrito por Thomas Mann em 1924, embora não haja comprovações de uma relação entre as duas obras. Também de um livro de Mann, Tônio Kroeger, é a frase citada em "Sereníssima": "Tenho um sorriso tosco, parecido com soluço (adaptado para "sorriso bobo");

4 - "L'âge d'Or" é também o título de um filme surrealista de 1930 dirigido pelo cineasta franco-espanhol naturalizado mexicano Luis Buñuel e co-dirigido pelo pintor espanhol Salvador Dalí, embora o bigodudo não seja citado nos créditos (dizem por ai que os dois tiveram um caso);

5 - "Metal Contra as Nuvens" é a música mais longa da Legião, com seus 11 minutos e 28 segundos de duração.


Esse é o primeiro disco que fiquei sabendo que a gravação foi feita com todo um clima. Renato fez questão de colocar cortinas negras, velas, luz negras e tudo o que um bom gótico gosta. Tanto que o Renato cita o "V" como o Pornography (The Cure) da Legião.
Lembro-me que descobri esse disco através do "Música para Acampamentos". Porquê? Há uma versão de 'A Montanha Mágica" que corrói qualquer metal que já foi encontrado pelo homem. E fui em busca desse disco de capa simples, mas conteúdo forte.

Pra quê????

Se você nunca chorou por alguém ouvindo "Vento no Litoral", eu já.
Se você nunca cantou "Metal Contra as Nuvens" e se colocou dentro dela, eu já.
Se você nunca ficou bobinho com "O Mundo Anda tão Complicado", eu já.
Se você nunca se frustrou ao cantar "a riqueza que nós temos, ninguém consegue perceber" em "O Teatro dos Vampiros", eu já.
Se você nunca se sentiu um bosta ouvindo "A Montanha Mágica", eu, sempre.
Se você não tem esse disco, é um sortudo. Ou ainda não teve o desprazer de se conhecer por completo.
Pra iniciar, indico só "Metal Contra as Nuvens"

E isso basta.

50 Discos: Desorganizando pra reorganizar - 2/50

Tropicália ou Panis Et circenses (vários artistas)
Ano de lançamento: 1968
Gênero: Tropicalismo
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Track List:
01 - Miserere Nóbis (Gil)
02 - Coração Materno - (Caetano)
03 - Panis Et Circenses (Os Mutantes)
04 - Lindonéia (Nara Leão)
05 - Parque Industrial (Gil, Caetano, Gal, Tom Zé e Os Mutantes)
06 - Geléia Geral (Gil)
07 - Baby (Caetano e Gal)
08 - Três Caravelas (Gil e Caetano)
09 - Enquanto seu Lobo não Vem (Caetano)
10 - Mamãe, Coragem (Gal)
11 - Bat Macumba (Gil)
12 - Hino ao Nosso Senhor do Bonfim (Todos)


O que falar dele?
Por muitos considerado a grande primeira obra nacional a devastar o mundo com coisas tipicamente novas.
OK, a bossa nova tem seus méritos, claro. Mas o movimento tropicalista trouxe ao país coisas que só vi de novo com o Science trazendo para o Sul a cultura popular.
Os tropicalistas mostraram ao mundo e, principalmente á velha guarda musical brasileira que o bom humor está diretamente ligado á boa música, á arranjos perfeitos e letras simples.
Meu primeiro contato com esse disco foi quando eu estava na sede mutante de entender todo esse processo de 1965 a 1975. Comprei todos os Cd´s que eu achava pela frente d´Os Mutantes justamente pra captar a mensagem desse pessoar maluco. Dai vi esse disco na Galeria e, sem eu saber, dois meses mais tarde eu veria um remake dele no Sesc Pompéia, com direito a Serginho Batista da guitarra, Otto, Vanessa da Mata, Ceumar, Lula Queiroga e o próprio maestro Julio Medaglia (diretor musical e arranjador) juntos mostrando um pouco do que os anos 60 teve de mais brilhante..
Dica: ouça Coração Materno e tente decifrá-la.
Teste: Você já sacou o que a letra de Panis Et Circenses quer dizer?

50 Discos: Jamaica/África-tupiniquim 1/50

Os Paralamas do Sucesso - Selvagem?
Ano de lançamento: 1986
Gênero: Pop Rock
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Track List:
01 - Alagados
02 - Teerã
03 - A novidade
04 - Melô do Marinheiro
05 - Marujo (Dub/instrumental)
06 - Selvagem
07 - A Dama e o Vagabundo
08 - There´s a Party
09 - O Homem
10 - Você
11 - Teerã (Dub/instrumental)


Começo por este disco por uma questão muito importante: foi o primeiro LP a entrar na minha casa, quando eu tinha 8 anos de idade.
Meu irmão pediu de amigo secreto da escola o primeiro disco da Legião Urbana, mas a pessoa não acho ue comprou este (também, ela foi procurar disco na Mesbla! Pô, passava ali do lado do Museu do Disco e achava!)
Meu irmão ouvia quase todo dia esse disco, e eu, ali do lado, prestando atenção. Por ser muito menino, não podia mexer na vitrola e muito menos nas coisas dele, então esperava ele chegar e ir ouvir. Como de praxe, gostei mais da "Melô do Marinheiro" que tocava muito nas rádios e tem uma levada sutil, alegre, tranquila, bem pra dançar mesmo.

Ah, o cara da capa é irmão do Bi Ribeiro, baixista.

Mal eu sabia que este disco seria considerado uma espécie de atestado de maturidade da geração 80 do Rock Brasil. Conectou três matrizes importantes da música negra do (hoje falecido termo)Terceiro Mundo: Bahia, Jamaica e África. Abriu um leque de possibilidades e foi precursor da sonoridade que reinou nos anos 90.
Como o Herbert Vianna cita, “Selvagem é um marco em vários sentidos pelo fato de ele ter tido uma penetração, abrindo mercados, abrindo possibilidades de a gente expandir”. “Com o Selvagem a gente estava tentando nadar em cores nacionais. E ter um retorno tão forte pra gente significou “Uau! Que legal que tenhamos encontrado esse grau de sintonia"

Destaco desse disco as faixas Você (sim sim sim, Tim Maia na área), que é um belo d´um dub romântico, e a fúria contida na faixa-título Selvagem: guitarra distorcida, baixo linear e bateria rasgada.
Não ouviu ainda?
Tá esperaduquê?
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